Ocupar e Libertar

Desde que o projeto nasceu, viu-se nas intervenções das redes, principalmente no contexto urbano, uma forma de ocupar o espaço público. Com ‘ocupar’ entende-se libertar e se apropriar de algo que é de todos, logo também ‘meu’, mas um ‘meu’ que tem consciência coletiva e não apenas egóica; portanto, uma apropriação diferente da de privatização, até porque, muitos desses espaços se encontram nesse estado de privatização, ou num estado de abandono ou de gestão distante e não democrática.

Entende-se que as ruas, praças e parques são os espaços mais importante da prática de comunidade, coletivismo, cidadanismo e do fazer política, no contexto urbano. São nesses espaços que as pessoas têm oportunidade de se reunir, circular, trocar, cocriar, etc. de forma livre e coletiva, entre muitas outras práticas que variam da contemplação da natureza, ao brincar, compartilhar vivências culturais ou simplesmente ‘ficá de boa’. Acontece que, especialmente no Brasil e na cidade de São Paulo, não só não se tem uma cultura de ocupação do espaço público, mas também há uma opressão e repressão dessa práticas por parte dos órgão governamentais e as instituições privadas. Naturalmente um fator alimenta o outro.

A Arlecchina valoriza a ocupação por parte de todos, estimula e apoia essas manifestações diversas e multiculturais e atua ocupando com suas intervenções com redes, que podem ter diversas interpretações, como uma provocação ao estresse e a dinâmica acelerada da cidade e do sistema, ou mesmo uma prática de redeterapia, também conhecida como relaxar, apreciar o aqui e agora; não se pode esquecer a relação das crianças com as redes, suas brincadeiras e sorrisos nos infinitos balanços coloridos.

Durante as ações da Arlecchina é claro que tiveram diversas dificuldades repressivas. Em muitos dos parques na qual se passou na cidade de SP lhe foi proibido armar redes; os GCM (Guarda Civil Metropolitana) poucas informações dão a respeito do motivo de ser proibido e, geralmente, respondem “porque não pode”; indo mais afundo, insistindo e provando, descobriu-se que teria uma tal lei (gestão Kassab), que abrange todas as árvores tombadas do município (logo todas as árvores), é vaga e generalista e proíbe qualquer intervenção em árvores, o que poderia incluir tanto amarrar uma fita, quanto armar um slack line.

Em alguns casos sequer essa lei é apelada, mas o simples fato de ser algo ‘fora do comum’ é visto como um ótimo motivo para proibir ou exigir autorizações. Se opor, questionar, transgredir, provocar e insistir é atuar como cidadão, fazer política. Essas repressões são as que privatizam, burocratizam e limitam os espaços públicos.

OCUPAR E LIBERTAR!


Redes Públicas

 

PROMOÇÃO COLETIVA:

A cada 15 redes vendidas UMA será
COMPARTILHADA NO ESPAÇO PÚBLICO!


Saiba mais sobre essa iniciativa